✉️ Cartas de Valor

Diminuindo ruídos, ouvindo o que importa

“Não é que tenhamos pouco tempo, é que desperdiçamos muito dele.”

Sêneca, Da Brevidade da Vida.

Vivemos uma era em que o ruído tomou conta.

Manchetes que duram minutos, opiniões instantâneas que ganham o mesmo peso de fatos históricos, redes sociais que transformam qualquer polêmica em guerra de narrativas. É o barulho que consome energia, foco e, muitas vezes, patrimônio.

Como comandante, aprendi cedo que ruído não é sinônimo de informação.

No cockpit, em momentos críticos, alarmes podem soar, rádios cruzam mensagens, pressões externas tentam se impor. Mas a sobrevivência depende de algo simples e implacável: filtrar o que não importa e agir apenas sobre o essencial. Essa disciplina não era uma opção, era a diferença entre segurança e tragédia.

E assim é também com os investimentos.

O mercado global grita diariamente: previsões, apostas políticas, gurus da vez. Mas quem constrói patrimônio de fato aprende a calar o barulho e ouvir o que interessa: fundamentos, ciclos, disciplina, tempo.

Ao longo da minha vida, tanto como profissional quanto como investidor, entendi que andar sozinho é muitas vezes melhor do que estar mal acompanhado.

Mas também descobri que boas escolhas de companhia — seja em um casamento sólido, seja em uma estratégia de investimentos bem fundamentada — podem mudar completamente o destino. Esta Carta de Valor é um convite a refletir sobre isso: como diminuir os ruídos, escolher com sabedoria e ouvir o que realmente importa.

A vida como investimento

Existe uma ilusão comum de que investir é apenas escolher ativos. Mas na prática, investir é antes de tudo sobre escolher bem — onde colocar tempo, energia, atenção e confiança.

Minha trajetória começou fora do mercado financeiro.

Foram mais de duas décadas como comandante de jatos, vivendo a responsabilidade de carregar vidas nas mãos. Ali aprendi que disciplina e serenidade não são virtudes opcionais, são pré-requisitos. Quando se está a 35 mil pés, o improviso inconsequente não tem lugar: é preciso cálculo, método e clareza.

Esse mesmo olhar foi o que levei para o mundo dos investimentos.

Quando decidi parar de voar comercialmente para proteger minha família e dar novos rumos à minha vida, não foi um salto no escuro: foi uma decisão racional, fundamentada, como cada escolha de rota em meio a tempestades.

O casamento sólido que construí com a Raquel, o valor de educar meus filhos para serem cidadãos do mundo, e a disciplina de cultivar escolhas consistentes são a base do que ensino hoje aos meus clientes.

Assim como uma aeronave só alcança destino seguro com rota clara e tripulação confiável, a vida financeira só prospera quando as companhias e decisões são bem escolhidas.

Muitos investidores caem na armadilha de buscar atalhos: o ruído do “próximo ativo explosivo”, a promessa de ganhos fáceis, a sedução de seguir a manada. Mas investir globalmente é como navegar longas distâncias: não é sobre velocidade momentânea, e sim sobre solidez para atravessar oceanos.

E aqui entra uma das maiores lições que aprendi: é melhor andar sozinho com clareza do que mal acompanhado pelo barulho.

Porém, quando encontramos companhias certas — como uma parceria de vida estável, ou uma estratégia racional de investimentos em ativos globais — não só o caminho se torna mais leve, mas o destino se torna muito maior.

O mundo atual e o excesso de ruídos

Nunca houve tanto barulho. Redes sociais amplificam opiniões, ideologias capturam manchetes, líderes radicais constroem seguidores em torno de frases de efeito e inimigos escolhidos. Esse excesso de ruídos não é apenas incômodo: ele gera consequências reais.

O caso mais recente foi o assassinato de Charlie Kirk, fundador da Turning Point USA, baleado em setembro de 2025 durante um evento universitário em Utah.

Independentemente das preferências políticas de cada um, esse episódio simboliza o ponto de ruptura da intolerância: quando pensamentos diferentes deixam de ser debatidos e passam a ser silenciados pela violência.

Não foi o primeiro caso.

Em 1963, John F. Kennedy, presidente dos EUA, foi assassinado em Dallas. Em 1995, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, foi morto em Tel Aviv. Em 1914, o assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando em Sarajevo desencadeou a Primeira Guerra Mundial. O padrão é claro: quando a razão cede lugar ao extremismo, o resultado é violência, instabilidade e impactos globais — políticos, sociais e econômicos.

É aqui que a filosofia estoica se torna guia. Marco Aurélio escreveu em suas Meditações: “Você tem poder sobre sua mente – não sobre eventos externos. Perceba isso e encontrará força.”

O investidor racional aprende que não controla assassinatos políticos, guerras ou polarizações. Mas pode controlar a forma como posiciona seu patrimônio, como filtra as informações e como protege o que construiu.

A história como termômetro

Diz-se que a história não se repete, mas rima.

O investidor atento entende que cada ciclo guarda lições que, se ignoradas, cobram um preço alto.

  • Grécia Antiga: auge cultural, mas ruído interno (guerra do Peloponeso) corroeu sua força.
    🔑 Lição: um portfólio fragmentado, guiado por disputas internas, perde força.

  • China Imperial: frota mais avançada do mundo, mas se fechou à globalização nascente.
    🔑 Lição: quem ignora inovação e evita exposição global perde relevância.

  • Império Britânico: hegemonia comercial e monetária, mas incapaz de sustentar dívidas de guerra.
    🔑 Lição: centros de poder mudam; investidores precisam diversificar moedas e geografias.

A história funciona como termômetro: não oferece mapas perfeitos, mas revela padrões de temperatura. Quem ignora os sinais repete erros em nova escala.

O investidor racional no presente

O mundo de hoje não é menos complexo. Guerras, tarifas, crises de confiança, avanços tecnológicos e polarizações criam ruído constante. Mas o investidor racional não busca silêncio; ele busca clareza.

Aqui entra a estratégia Core-Satélite, adaptada para o cenário global e acessível tanto por ETFs UCITS quanto por ações diretas:

  • Núcleo (Core): exposição ampla e diversificada ao mercado global.

    • Exemplo UCITS: iShares Core MSCI World UCITS ETF (EUNL) – amplo, barato, diversificação em mercados desenvolvidos.

    • Alternativa: Vanguard FTSE All-World UCITS ETF (VWCE) – inclui emergentes.

  • Satélites: posições táticas e de maior convicção.

    • Tecnologia: ações como Microsoft, Nvidia, ASML.

    • Transição energética: UCITS como iShares Global Clean Energy UCITS ETF (INRG).

    • Commodities/Energia: exposição a ouro (iShares Physical Gold ETC), e empresas como BHP e Rio Tinto.

    • REITs globais: iShares Developed Markets Property Yield UCITS ETF (IWDP).

Essa mescla garante que o investidor esteja protegido contra ruídos locais e exposto às forças estruturais que moldam o século XXI. É a aplicação prática da filosofia estoica e da antifragilidade de Taleb: não prever o próximo choque, mas estar preparado para qualquer um.

Escolhas que definem destinos

Na vida, assim como nos investimentos, são as escolhas que definem o rumo. O casamento que escolhi construir, a carreira que decidi transformar, o patrimônio que resolvi globalizar — todos foram atos de disciplina diante do ruído.

A filosofia estoica ensina que a liberdade vem não da ausência de barulho, mas da capacidade de ouvir apenas o que importa. É essa clareza que busco praticar e compartilhar.

Se você deseja parar de viver à mercê do barulho e começar a construir um patrimônio global sólido, chegou a hora de dar o próximo passo.

Logo mais volto com as mentorias individuais !

Até a próxima Carta de Valor,

— Victor Giorgi, Fundador da VGI+ Investimentos Globais

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