#17Quando o Oráculo escreve seu testamento moral

o que a última carta de Warren Buffett ensina sobre dinheiro, sorte, propósito — e como isso conversa com o que eu faço com você

Olá,

Há décadas o mercado espera, todo começo de ano, a carta de Warren Buffett como se fosse um pequeno “oráculo em PDF”.
Desta vez, o texto tem um peso diferente.

Aos 95 anos, Buffett anunciou sua aposentadoria para o fim de 2025, oficializou Greg Abel como sucessor e publicou aquilo que vem sendo tratado como sua carta final aos acionistas, onde fala abertamente de sorte, legado, sucessão e do que realmente importa depois de bilhões de dólares.

Eu, Victor, sempre deixei claro: meu modelo mental de investidor é profundamente influenciado por Warren Buffett e Charlie Munger. Não copio tática, copio princípio: racionalidade, humildade intelectual, foco em qualidade, horizonte de décadas e consciência do fator humano.

Hoje eu quero te mostrar o que essa última carta diz — e, principalmente, como isso conversa com a forma como eu te ajudo a construir riqueza em dólar, saindo do risco concentrado Brasil sem perder o eixo da vida real.

1. “Eu nasci com um bilhete de loteria premiado”

Buffett volta ao tema que o acompanha há anos: a “ovarian lottery”, a loteria do nascimento. Ele reconhece que nasceu em 1930, homem, saudável, nos Estados Unidos – e que isso o colocou, de saída, numa posição de vantagem em relação à imensa maioria das pessoas no planeta.

Na carta final, o tom é ainda mais direto: ele fala de episódios em que quase morreu jovem, da quantidade de vezes que foi salvo pela medicina moderna e da sorte extrema que permeou a trajetória dele.

O que isso exige da gente como investidor?

  • Humildade estrutural – resultado não é 100% mérito. Contexto, época e acaso pesam.

  • Menos julgamento raso – nem todo rico é gênio, nem todo pobre é preguiçoso. Narrativas confortáveis são, em geral, falsas.

  • Responsabilidade proporcional – quanto mais a sorte pesou a seu favor, mais faz sentido pensar em como o seu dinheiro devolve algo ao mundo.

🔎 Onde eu entro nisso
Eu tive meus próprios “sorte e acaso”: nascer numa família que valorizava estudo, ter acesso à aviação, depois migrar para o mercado financeiro, estudar em Yale, Chicago, NTSB. Mas também vivi o outro lado: filho com síndrome genética rara, transição de carreira, perrengues que a vida trás.

Por isso minha abordagem é: sim, vamos buscar performance. Mas sem a arrogância de achar que controlamos tudo e sem vender pra você uma fantasia de mérito absoluto.

2. Omaha, distância da manada e o valor de não ser “do eixo”

Buffett sempre fez questão de continuar em Omaha, longe de Wall Street. Na carta final e nos textos recentes, ele volta a destacar como o ambiente – a cidade, as pessoas, a cultura – ajudaram a moldar sua forma de pensar capital, risco e relacionamento de longo prazo.

Enquanto o mundo financeiro idolatra certas avenidas, sedes espelhadas e jantares de networking, ele escolheu ficar “fora do eixo” – cercado de gente com quem podia ter conversas honestas, como Charlie Munger, e executivos como Greg Abel.

Tradução pra você, investidor brasileiro:

  • Você não precisa morar em Manhattan ou na Faria Lima para investir como gente grande.

  • Você precisa de filtro, método e boas referências mentais – não de ruído, manchete e vaidade.

🔎 Onde eu entro nisso
Eu faço questão de trazer essa lógica pra sua vida:
Você pode estar em São José dos Campos, em Dublin, em Manchester ou em qualquer outra cidade — não é o CEP - ZIPCODE que define a qualidade da sua carteira global, e sim o conjunto de princípios que você usa para decidir onde coloca cada real (ou cada dólar).

Meu trabalho com você é ser esse filtro: pegar o barulho do mundo e traduzir em decisões calmas, racionais e alinhadas à sua realidade.

3. O que ele vai fazer com o dinheiro (spoiler: não é erguer uma dinastia)

Buffett vem acelerando, ano a ano, a doação da própria fortuna a fundações ligadas à família. Em novembro de 2025, converteu mais 1.800 ações A em 2,7 milhões de ações B para doar a quatro fundações – dando mais um passo no plano de devolver, em vida e depois dela, a maior parte do patrimônio à sociedade.

Na carta final, ele reforça:

  • Não quer controlar tudo “do túmulo”.

  • Não quer criar uma dinastia intocável.

  • Quer que os filhos tenham a responsabilidade de alocar capital filantrópico ainda lúcidos.

Isso confronta a visão comum de “acumular por acumular”, como se o objetivo fosse empilhar números em uma tela e pronto.

Pergunta incômoda pra você e pra mim: pra quê serve o dinheiro que estamos construindo?

🔎 Onde eu entro nisso
Quando eu desenho uma estratégia global com você, eu não penso só em “quanto você vai ter aos X anos”.
Eu penso em:

  • qual liberdade concreta esse patrimônio vai te dar;

  • que experiências você quer garantir pros seus filhos (como o intercâmbio da Daniela);

  • que margem de manobra você quer ter para lidar com imprevistos da saúde, crises políticas, mudanças de país.

Ou seja: não é só sobre ter mais zeros; é sobre ter mais opções de vida.

4. Greg Abel, sucessão e a lição de não criar impérios pessoais

Buffett repetiu por anos que um dia Greg Abel o sucederia. Em 2025, isso foi oficializado: Greg assume como CEO da Berkshire no fim do ano.

O ponto não é só “quem é Greg Abel”, mas o que o processo de sucessão ensina:

  • Cultura > pessoa – a Berkshire foi desenhada para sobreviver ao próprio Buffett.

  • Planejamento de longo prazo – a sucessão é discutida abertamente desde 2021, sem tabu.

  • Nada de CEO superstar – Abel é conhecido por perfil discreto, foco em operação e alinhamento à cultura, não por querer ser popstar de mercado.

Isso vai na contramão de muito negócio – e de muita carteira – construída em torno de “um nome”, “um gênio”, “um influencer”.

🔎 Onde eu entro nisso
Eu não quero que você dependa de mim como se eu fosse um oráculo pessoal.
Quero que:

  • você entenda os princípios que usamos;

  • tenha clareza sobre o porquê de cada decisão;

  • consiga manter a rota mesmo que amanhã você não fale comigo por alguns meses.

Buffett desenhou uma empresa que sobrevive sem ele.
Eu quero te ajudar a desenhar uma estratégia que sobrevive sem mim – porque o protagonista da sua vida financeira é você.

5. O futuro da Berkshire e a verdade incômoda sobre volatilidade

A carta final também é honesta sobre números:

  • A Berkshire hoje é um colosso de mais de US$ 1 trilhão de valor de mercado; o tamanho limita naturalmente o retorno percentual futuro.

  • Ainda assim, Buffett insiste que a empresa tem perspectivas “moderadamente melhores que a média”, com um conjunto de negócios de alta qualidade e baixa correlação entre si.

E ele volta a um ponto que repete há décadas: as ações da Berkshire já caíram por volta de 50% várias vezes – e isso pode acontecer de novo. Quem não está preparado para ver -50% na tela não deveria estar em renda variável.

Aplicando isso à sua carteira:

  • Drawdown não é defeito, é o “pedágio” da renda variável.

  • A pergunta certa não é “como evitar quedas?”, e sim como ter uma estrutura que sobreviva às quedas sem te fazer tomar decisões estúpidas.

🔎 Onde eu entro nisso
A minha função com você não é montar uma carteira “inabalável” (isso não existe), mas uma carteira:

  • global, em dólar, com diversificação real;

  • em que você sabe o que fazer quando cair;

  • em que o risco é proporcional à sua fase de vida, capacidade de aporte e estrutura emocional.

Eu não vendo ilusão de linha reta. Eu te entrego um mapa que considera tempestade.

6. Obituário, regra de ouro e o que fica depois do dinheiro

No fechamento da carta final e na carta de Ação de Graças, Buffett fala menos de números e mais de vida:

  • diz que não vale a pena ruminar erros para sempre – é melhor aprender rápido e seguir;

  • recomenda que você escolha bons heróis e copie (Tom Murphy, Munger, etc.);

  • sugere que você escreva mentalmente o obituário que gostaria de merecer e viva em direção a ele;

  • e reforça, quase como mandamento, a regra de ouro: tratar as pessoas de forma justa, com gentileza e integridade.

No meio de tanto ruído, hype de inteligência artificial, promessas fáceis e discursos de enriquecimento rápido, um dos homens mais ricos da história termina sua série de cartas falando de bondade, coerência e responsabilidade.

🔎 Onde eu entro nisso
Eu não sou o Buffett.
Mas eu decidi conscientemente me alinhar a esse tipo de mentalidade:

  • Nada de vender fantasia de dinheiro fácil em dólar.

  • Nada de prometer retorno garantido.

  • Nada de jeitinho com imposto, carteira alavancada sem o cliente entender, ou qualquer coisa que vá contra aquilo que eu gostaria de ler no meu próprio obituário.

Se eu puder ser lembrado por algo, que seja por ter ajudado famílias reais a:

  • sair do risco concentrado Brasil de forma responsável;

  • construir patrimônio em dólar com método;

  • e ter mais liberdade de escolher como viver, trabalhar, viajar, educar os filhos.

7. E você, o que vai fazer com isso?

Você não controla:

  • o país em que nasceu;

  • a década em que começou a investir;

  • as crises que vão explodir no meio do caminho.

Mas você controla:

  • como estrutura sua carteira (Brasil vs mundo, real vs dólar, qualidade vs aposta);

  • quais heróis você escolhe copiar (Buffett, Munger ou o influencer do momento?);

  • que tipo de história você quer contar sobre como construiu o seu patrimônio.

Se essa última carta do Buffett te cutuca, talvez seja a hora de alinhar:

  • a forma como você pensa dinheiro,

  • com a forma como você monta sua carteira,

  • com o tipo de vida que você realmente quer viver.

Se você quiser alguém ao lado nessa transição – saindo de uma lógica reativa, focada em curto prazo e “dicas”, para uma estratégia global, em dólar, coerente com seus valores – é exatamente isso que eu faço na consultoria.

Buffett encerra a série de cartas.
A sua, você ainda está escrevendo.

Nos vemos na próxima carta de valor,

Victor Giorgi

Fontes e leituras recomendadas

Pra você conferir, estudar e, se quiser, linkar ao final da Carta de Valor:

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