#34 Carta de Valor - O Mago de Washington

Trump, Wall Street e a política da imprevisibilidade

12 de Julho de 2026

Naquela manhã, milhares de gestores ao redor do mundo fizeram exatamente a mesma coisa. Não abriram primeiro o balanço da Microsoft, não correram para revisar o guidance da Nvidia e também não começaram pela curva de juros americana. Abriram o X, ou o Truth Social, esperando apenas uma pessoa escrever algumas linhas.

Donald Trump.

Em qualquer outro momento da história financeira moderna, pareceria absurdo imaginar que trilhões de dólares aguardariam um post de poucas palavras. Hoje, parece normal. Talvez esse seja justamente o sinal de que estamos vivendo uma nova era.

Durante décadas, fomos ensinados que mercados eram movidos por fundamentos: lucros, juros, inflação, produtividade e fluxo de caixa. Isso continua verdadeiro. Nenhum investidor sério deveria desprezar balanços, margens, crescimento de receita, custo de capital ou geração de caixa. Mas existe hoje outro ativo, invisível, difícil de mensurar e impossível de ignorar: a percepção.

Poucos políticos entenderam tão bem o poder da percepção quanto Donald Trump. Ele não precisa controlar Wall Street diretamente para influenciá-la. Precisa controlar o ritmo da narrativa, definir sobre o que o mundo falará hoje e transformar cada negociação em uma disputa pública de força. Uma tarifa, uma ameaça, uma guerra, uma promessa de acordo, um recuo e uma vitória declarada antes mesmo de existir uma vitória real podem alterar o humor dos mercados em poucas horas.

No mercado financeiro, expectativas muitas vezes movem preços antes que os fundamentos tenham tempo de aparecer. E Trump entendeu algo essencial sobre o século XXI: quem controla expectativas influencia comportamentos; quem influencia comportamentos movimenta mercados.

Quando uma frase vira preço

No dia 9 de abril de 2025, Trump publicou que aquele era um excelente momento para comprar ações. Poucas horas depois, anunciou uma pausa de 90 dias em parte das tarifas que haviam provocado forte turbulência nos mercados. A reação foi intensa. O S&P 500 subiu 9,5% naquele dia, seu maior ganho diário desde 2008; o Nasdaq avançou 12,16%; e o Dow Jones subiu 7,82%.

Variação dos principais índices dos EUA em 9 de abril de 2025, após a pausa tarifária de 90 dias.

É claro que esse episódio levantou questionamentos políticos. Quando um presidente diz publicamente que é hora de comprar ações e, horas depois, anuncia uma medida capaz de provocar uma das maiores altas da história recente do mercado americano, surgem perguntas inevitáveis. Houve manipulação? Houve informação privilegiada? Houve favorecimento?

Essas são perguntas jurídicas e exigem provas específicas. A acusação de manipulação de mercado não deve ser feita de forma leviana, especialmente quando falamos do presidente dos Estados Unidos. Mas, para o investidor, existe uma pergunta ainda mais relevante: como chegamos ao ponto em que uma frase presidencial consegue alterar trilhões de dólares antes mesmo de uma coletiva oficial?

Esse é o centro desta carta. Trump não controla Wall Street como alguém controla uma empresa. Ele não aperta um botão e define o preço da Apple, da Microsoft ou da Nvidia. Mas ele altera probabilidades. E mercados não negociam apenas fatos. Mercados negociam probabilidades.

Probabilidade de tarifa. Probabilidade de guerra. Probabilidade de acordo. Probabilidade de recessão. Probabilidade de inflação. Probabilidade de corte ou alta de juros.

Quando o presidente dos Estados Unidos altera essas probabilidades, o mercado inteiro precisa recalcular.

O importador de Ohio

Pense em um importador americano de médio porte, no interior de Ohio. Ele não aparece na CNBC, não dá entrevista para a Bloomberg e não tem lobby poderoso em Washington. Apenas importa refrigeradores produzidos na Coreia, emprega algumas dezenas de pessoas e tenta manter sua margem de pé.

Na terça-feira, sua margem era de 14%. Na quarta, uma tarifa de 35% muda completamente a planilha. Ele compra antes que a tarifa entre em vigor? Cancela pedidos? Aumenta o preço para o consumidor? Negocia com o fornecedor? Reduz estoque? Demite funcionários?

Nenhuma resposta é confortável.

Essa é a parte da política comercial que raramente aparece nos discursos. Tarifas são vendidas como uma cobrança feita ao outro país. Mas, na prática, a tarifa é recolhida do importador americano. Depois, seu custo é distribuído pela cadeia: fornecedor, empresa, intermediário e consumidor. Em alguns casos, o exportador reduz margem. Em outros, a empresa americana absorve parte do impacto. Muitas vezes, o consumidor paga mais caro.

Um estudo do Federal Reserve estimou que as tarifas implementadas até novembro de 2025 elevaram os preços dos bens do núcleo do PCE em 3,1% até fevereiro de 2026. O impacto no núcleo do PCE total foi estimado em 0,8%.

Estimativa do Federal Reserve para o impacto das tarifas implementadas até novembro de 2025 nos preços ao consumidor.

Esse é o lado menos cinematográfico da guerra comercial. Ele não aparece em palanque e não cabe em frase de efeito, mas aparece na margem de uma empresa pequena, no preço final, na inflação e, no fim, na decisão do banco central.

A política comercial vira inflação. A inflação vira juros. Os juros viram valuation. O valuation vira preço de mercado.

É assim que uma tarifa deixa de ser apenas uma frase política e se transforma em perda ou ganho patrimonial.

A Apple e a fábrica invisível

Agora pense na Apple. Toda vez que surge uma nova rodada tarifária, milhares de analistas fazem a mesma conta: quanto custa produzir um iPhone, quanto desse custo pode ser repassado ao consumidor, quanto fica na margem da companhia, quanto reduz o lucro por ação e quanto pode afetar a demanda.

A Apple vem acelerando sua diversificação produtiva para a Índia. Segundo a Reuters, entre março e maio de 2025, a Foxconn exportou US$ 3,2 bilhões em iPhones produzidos na Índia, e 97% desses embarques foram destinados aos Estados Unidos. No mesmo relatório, analistas estimavam que iPhones fabricados na Índia poderiam representar de 25% a 30% dos embarques globais de iPhone em 2025, acima de cerca de 18% em 2024.

Esse dado conta uma história maior. A Apple não está mudando sua cadeia apenas porque encontrou uma planilha mais eficiente. Está mudando porque o mundo mudou. A fábrica deixou de ser apenas uma decisão operacional. Virou uma decisão geopolítica.

China, Índia, Vietnã, México e Estados Unidos não são apenas pontos em uma cadeia de suprimentos. Cada país carrega um custo, uma moeda, uma legislação, uma relação diplomática e um risco político. O iPhone que o consumidor segura na mão parece apenas um produto de consumo, mas, por trás dele, existe uma guerra silenciosa por tecnologia, margem, escala, semicondutores, mão de obra, tarifas e soberania industrial.

O consumidor vê uma tela. O investidor precisa enxergar a rede.

O gestor diante do caos

Agora imagine outro personagem. Um gestor institucional em Nova York administra dezenas de bilhões de dólares. Na tela, acompanha tecnologia, petróleo, juros longos, dólar, crédito e mercados emergentes. De repente, Trump declara que determinado entendimento geopolítico está encerrado ou que uma nova medida comercial pode ser anunciada em breve. O petróleo reage, as bolsas caem, os títulos se movem, o dólar se fortalece e os algoritmos ajustam posições antes que analistas humanos consigam escrever a primeira nota.

Esse gestor não tem tempo para produzir um ensaio sobre o Oriente Médio, sobre tarifas ou sobre a arquitetura da OTAN. Ele precisa decidir: compra petróleo, reduz tecnologia, aumenta defesa, protege câmbio, diminui risco ou espera?

Esse é o ambiente atual. O mercado não reage apenas ao que aconteceu. Reage ao que pode acontecer. E, quando a principal potência do mundo é liderada por alguém que usa a imprevisibilidade como método, o futuro passa a ser precificado com muito mais ruído.

Máximo caos, máxima alavancagem

Trump costuma começar negociações de maneira extrema. Ameaça tarifas elevadas, questiona alianças históricas, pressiona empresas, ataca líderes e permite que todos imaginem o pior cenário. Depois, oferece uma concessão parcial e apresenta o recuo como vitória.

Existe lógica nisso. Ao elevar o custo de não negociar, ele tenta forçar o outro lado a aceitar condições que antes rejeitaria. O problema é que países não são empresas em uma negociação imobiliária, alianças militares não são contratos de curto prazo e cadeias produtivas não são interruptores.

Confiança institucional não pode ser ligada e desligada todos os dias.

Quando o líder da maior economia do mundo transforma imprevisibilidade em método, essa imprevisibilidade vira custo econômico global. Empresas adiam investimentos, importadores antecipam compras, governos criam subsídios, companhias redesenham cadeias produtivas e investidores exigem prêmio de risco maior.

O FMI projeta crescimento global de 3,0% em 2026 e 3,4% em 2027, abaixo da média de 3,5% observada em 2024–2025. O mesmo relatório aponta desaceleração do comércio global em um ambiente marcado por tarifas, choques geopolíticos e reorganização das cadeias produtivas.

Projeções do FMI mostram crescimento global menor e desaceleração do comércio mundial. Para crescimento global, o gráfico compara a média de 2024–2025 com 2026. Para comércio global, compara 2025 com 2026.

A tarifa, portanto, não é apenas um imposto sobre o produto importado. É também um imposto sobre a previsibilidade.

O Mago do Kremlin

Foi nesse ponto que me lembrei de um dos livros mais interessantes dos últimos anos: O Mago do Kremlin, de Giuliano da Empoli.

O livro não é exatamente sobre Trump. É sobre poder, percepção e a capacidade de conduzir sociedades não apenas por uma mentira, mas por excesso de versões da realidade. O personagem central, Vadim Baranov, é uma figura fictícia inspirada em Vladislav Surkov, estrategista político associado à ascensão de Vladimir Putin.

Trump não é Putin. Essa comparação direta seria preguiçosa e intelectualmente desonesta. Os Estados Unidos continuam tendo eleições competitivas, Judiciário, Congresso, imprensa independente, federalismo, sociedade civil e mercados financeiros profundos. A Rússia de Putin é um regime autoritário, marcado por repressão política e concentração de poder.

Mas existe uma semelhança no método de comunicação. Ambos entenderam que o poder moderno não precisa convencer todo mundo de uma única verdade. Às vezes, basta produzir tantas versões que ninguém mais saiba exatamente onde está a verdade.

É ameaça ou blefe? É política definitiva ou teste de mercado? É negociação ou espetáculo? É estratégia ou improviso?

Quando ninguém sabe, todos reagem. E quem obriga todos a reagirem ocupa o centro do jogo.

Maquiavel talvez sorrisse diante desse cenário. Durante séculos, imaginamos que o príncipe precisava controlar exércitos. No século XXI, talvez baste controlar expectativas.

A OTAN e o novo preço da segurança

Enquanto Wall Street observava Trump, outra reunião acontecia a milhares de quilômetros dali. Menos performática, mais formal e talvez ainda mais importante: a cúpula da OTAN em Ancara.

A reunião mostrou que a Europa está finalmente acordando para algo que muitos preferiram ignorar por décadas. Segurança custa caro. Muito caro.

Segundo a própria OTAN, os aliados europeus e o Canadá aumentaram seus gastos de defesa de 1,4% do PIB combinado em 2014 para 2,3% em 2025. Em 2025, esse gasto conjunto superou US$ 571 bilhões em preços de 2021.

Gastos de defesa dos aliados europeus e do Canadá como percentual do PIB combinado.

Na cúpula de Ancara, empresas de defesa anunciaram mais de US$ 50 bilhões em acordos industriais e de aquisição. A OTAN também avançou em apoio militar à Ucrânia, com um pacote de €70 bilhões citado por agências internacionais durante a cúpula.

Compromissos anunciados na Cúpula da OTAN de 2026: mais de US$ 50 bilhões em acordos industriais e €70 bilhões em apoio militar à Ucrânia.
Nota: os valores estão em moedas originais, dólares americanos para os acordos industriais e euros para o apoio militar à Ucrânia.

Isso não é apenas uma notícia militar. É uma mudança econômica estrutural. Durante décadas, a Europa investiu menos em defesa porque operava sob o guarda-chuva estratégico dos Estados Unidos. Trump questionou esse arranjo de maneira agressiva. Sua forma é frequentemente destrutiva, mas a pergunta não é inteiramente ilegítima: por que os Estados Unidos deveriam assumir uma parcela desproporcional do custo de segurança de países ricos?

A Europa começou a responder, não apenas por pressão americana, mas porque a invasão russa da Ucrânia mostrou que a guerra convencional no continente não morreu no século XX.

O resultado será uma Europa mais armada, com maior capacidade industrial e mais recursos destinados à segurança. Para o investidor, defesa deixou de ser apenas um setor ligado a conflitos pontuais. Mísseis, drones, satélites, sistemas antiaéreos, cybersegurança, inteligência artificial militar e infraestrutura energética entraram no centro dos orçamentos nacionais.

Não se trata de celebrar a guerra. Trata-se de reconhecer que o mundo está se preparando para ela.

A globalização não acabou

Muita gente diz que a globalização morreu. Não morreu. Ela mudou de natureza.

Durante décadas, as empresas buscaram eficiência máxima. Produziam onde era mais barato, mantinham estoques baixos, concentravam fornecedores e transportavam peças entre vários países antes de entregar o produto final. Era um mundo desenhado para custo mínimo.

Pandemia, guerra, tarifas e disputa tecnológica entre Estados Unidos e China revelaram uma fragilidade enorme: eficiência sem redundância é vulnerabilidade.

A nova globalização continua buscando custos competitivos, mas agora precisa considerar segurança nacional, alianças políticas, controle tecnológico e risco geopolítico. Semicondutores viraram tema de Estado. Terras raras deixaram de ser apenas commodities. Data centers passaram a ser infraestrutura estratégica. Energia voltou a ser instrumento de poder. Capacidade industrial tornou-se parte da defesa.

O comércio continuará global, mas será menos inocente. Cada fábrica será também uma decisão geopolítica. Cada porto será um ativo estratégico. Cada tecnologia crítica será disputada por governos.

Isso encarece o sistema, mas também cria oportunidades enormes em infraestrutura, energia, defesa, automação, mineração, redes elétricas, logística e segurança digital. O investidor não deve confundir um mundo mais perigoso com um mundo sem oportunidades. Muitas vezes, risco e oportunidade nascem do mesmo processo.

Quando o investidor vira militante

Existe um erro que vejo cada vez mais. Investidores deixam de analisar empresas e passam a analisar políticos. A carteira deixa de refletir fundamentos e passa a refletir identidade.

Quem idolatra Trump transforma cada recuo em genialidade estratégica. Quem odeia Trump considera qualquer alta do mercado uma irracionalidade prestes a colapsar. Os dois podem perder dinheiro.

O mercado não remunera fidelidade ideológica. Também não pune automaticamente governantes moralmente questionáveis. Mercados podem subir durante guerras, cair durante governos tecnicamente responsáveis, ignorar escândalos por meses e reagir violentamente a uma única frase.

Isso não significa que valores sejam irrelevantes. Significa apenas que valores e análise cumprem funções diferentes.

Eu posso reprovar uma política e reconhecer que ela beneficia determinado setor. Posso considerar um governante perigoso e admitir que certas medidas favorecem ativos específicos. Posso defender a democracia e, ao mesmo tempo, analisar empresas que operam em países autoritários.

O investidor precisa preservar essa capacidade. Quando a identidade política controla a carteira, a análise termina. A pessoa deixa de investir. Passa a torcer.

Trump controla Wall Street?

Minha resposta é: não de maneira absoluta. Mas ele possui uma capacidade excepcional de influenciá-la.

Wall Street é grande demais, complexa demais e global demais para ser controlada por uma única pessoa. Os preços seguem sendo definidos por lucros, juros, liquidez, balanços, fundos de pensão, bancos, algoritmos e milhões de decisões individuais.

Trump não controla a demanda por chips, não determina sozinho o lucro da Apple, não elimina ciclos econômicos e não domina integralmente o Fed, o Congresso, os tribunais ou o mercado de títulos.

Mas ele compreende algo essencial: Wall Street negocia probabilidades. E o presidente dos Estados Unidos pode alterar probabilidades como poucos agentes no planeta.

Pode elevar a chance de uma tarifa, reduzir a chance de um acordo, aumentar o risco de guerra, pressionar o banco central, modificar regulações, aplicar sanções e reorganizar incentivos industriais. Ele não controla cada investidor, mas altera o conjunto de cenários que todos os investidores precisam considerar.

Esse é um poder menos visível do que o controle direto. E talvez mais sofisticado.

Como investir em um mundo governado por narrativas

A resposta não está em tentar prever cada declaração de Trump. Ninguém constrói patrimônio de longo prazo apostando diariamente em postagens presidenciais. Também não está em abandonar os Estados Unidos. Apesar da instabilidade política, o país continua reunindo algumas das melhores empresas, universidades, tecnologias, mercados de capitais e instituições de inovação do mundo.

A resposta está em construir carteiras capazes de sobreviver a cenários diferentes.

Diversificação global não significa abandonar os Estados Unidos. Significa não depender exclusivamente de uma única moeda, uma única liderança, uma única política fiscal ou uma única região econômica. Para o investidor brasileiro, exposição cambial não é apenas uma aposta contra o real. É proteção contra concentração patrimonial em um país de moeda frágil, instabilidade fiscal recorrente e baixa previsibilidade institucional.

Empresas com balanços sólidos, poder de precificação e baixa dependência de financiamento tendem a atravessar melhor ambientes de inflação, tarifas e interrupções produtivas. Liquidez permite sobreviver ao caos sem vender bons ativos no pior momento. Ativos reais, infraestrutura, energia e metais podem ajudar em cenários inflacionários, desde que comprados com preço e racionalidade.

Defesa e tecnologia crítica são tendências estruturais, mas uma boa tendência não transforma automaticamente qualquer empresa do setor em bom investimento.

Acima de tudo, precisamos de menos previsão e mais preparação. Em vez de tentar adivinhar a próxima frase de Trump, é melhor perguntar se a carteira sobreviveria a uma nova guerra comercial, se existe concentração excessiva em tecnologia americana, se há liquidez suficiente, se renda e patrimônio dependem do mesmo país, se existe proteção cambial e se há ativos capazes de atravessar inflação e instabilidade política.

Essas perguntas são mais úteis do que tentar prever o próximo post presidencial.

O poder de continuar pensando

Trump pode influenciar Wall Street. Putin pode influenciar energia. A China pode influenciar semicondutores e minerais críticos. A guerra pode influenciar juros. A política pode influenciar moedas. Mas nenhuma dessas forças deveria controlar completamente nossa capacidade de pensar.

O maior risco não é apenas um presidente movimentar o mercado. É o investidor permitir que cada manchete movimente sua carteira. É confundir velocidade de informação com qualidade de decisão. É acreditar que estar permanentemente informado significa estar preparado.

Sêneca dizia que sofremos mais na imaginação do que na realidade. Wall Street parece fazer exatamente isso todos os dias.

A verdadeira proteção não vem de prever perfeitamente a próxima crise. Vem de não precisar acertar todas as previsões para continuar de pé. Diversificação, disciplina, liquidez, qualidade e horizonte longo parecem ideias pouco emocionantes. Talvez por isso funcionem.

Elas não prometem o poder de adivinhar o futuro. Oferecem algo mais valioso: a capacidade de atravessá-lo.

Trump pode dominar o noticiário, alterar expectativas, gerar caos, recuar, negociar e declarar vitória. Pode fazer Wall Street celebrar em uma tarde e procurar proteção na manhã seguinte. Mas ele não precisa dominar nossa carteira, nossa racionalidade ou nosso futuro.

Porque, no final, patrimônio não é construído por quem reage mais rapidamente ao homem mais poderoso da sala. É construído por quem consegue continuar pensando quando todos os outros já estão apenas reagindo.

Obrigado pela Leitura, até a próxima carta

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Victor Giorgi
Especialista em Investimentos Globais
Global Valor | VGI+

Este conteúdo possui caráter exclusivamente educacional e informativo. Não constitui recomendação individual de investimento. Decisões financeiras devem considerar objetivos, horizonte, perfil de risco, situação patrimonial e necessidades específicas de cada investidor.

Fontes principais consultadas

Reuters, Federal Reserve, Fundo Monetário Internacional, OTAN e The Guardian foram utilizados para dados de mercado, impacto tarifário sobre preços, projeções globais, gastos de defesa, compromissos da OTAN e referência literária sobre O Mago do Kremlin.

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